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Casamento católico, divórcio e “celebração da bênção”: afinal, como funciona?

O casamento de Elisa Zarzur e Alexandre Negrão gerou uma dúvida em muita gente: como é possível acontecer uma celebração religiosa na igreja católica quando o noivo já foi casado anteriormente na igreja?

A pergunta faz sentido, principalmente porque Alexandre Negrão foi casado com Marina Ruy Barbosa em 2017, em uma cerimônia religiosa católica. Na época, veículos de imprensa registraram que o casamento teve bênção de um padre e aconteceu em uma capela em Goiás.

Mas, para entender esse assunto, é preciso separar algumas coisas: casamento civil, divórcio, casamento religioso, nulidade e bênção.

No civil, um casal pode se divorciar e encerrar legalmente aquele casamento perante o Estado.
Já para a Igreja Católica, a lógica é diferente. O divórcio civil, sozinho, não desfaz automaticamente um matrimônio religioso considerado válido.

Pela regra católica, quando uma pessoa se casa na Igreja, aquele vínculo é tratado como “eterno”.
Ou seja: se o casamento religioso anterior foi válido, a pessoa não estaria livre para se casar novamente na Igreja apenas porque houve divórcio no civil.

Então, para um novo casamento católico acontecer de forma válida, seria necessário que o casamento anterior tivesse passado por um processo de nulidade matrimonial.

E aqui tem um ponto importante: nulidade não é divórcio.

O divórcio diz que um casamento acabou no civil. A nulidade, dentro da Igreja, diz que aquele matrimônio nunca foi válido desde o início, por algum motivo reconhecido pelo Direito Canônico. Pode envolver questões ligadas ao consentimento, impedimentos, intenção dos noivos no momento do casamento ou outros fatores avaliados por um tribunal eclesiástico.

Ou seja: a Igreja não “desfaz” um casamento válido. Ela pode, em alguns casos, declarar que aquele casamento nunca foi validamente constituído.

No caso de Alexandre Negrão, até o momento, não há uma confirmação pública localizada dizendo que houve declaração de nulidade do casamento religioso anterior com Marina Ruy Barbosa. Esse tipo de processo pode existir, mas nem sempre é divulgado publicamente.

Por isso, chama atenção o termo usado pelo casal no missal: “celebração da bênção”.

Essa expressão pode indicar que não se tratava necessariamente de um novo sacramento do matrimônio católico, mas sim de uma bênção ou celebração religiosa. Existe diferença entre uma cerimônia de casamento católico, com validade sacramental, e uma celebração de bênção.

Para que exista um novo casamento católico válido, a pessoa precisa estar livre para casar de acordo com as normas da Igreja. Se ainda existir um vínculo anterior considerado válido, esse novo matrimônio não poderia acontecer como sacramento.

Já uma bênção pode ter outro caráter: mais pastoral, simbólico ou espiritual, sem necessariamente equivaler a um casamento canônico.

Então, respondendo de forma direta: pela regra da Igreja Católica, uma pessoa que já foi casada religiosamente e apenas se divorciou no civil não pode simplesmente casar de novo na Igreja. Para isso, precisaria haver uma declaração de nulidade do casamento anterior ou outra situação reconhecida pela própria Igreja.

Se não houve nulidade, o que pode acontecer é uma celebração de bênção, mas não um novo casamento católico sacramental.

No caso específico de Elisa Zarzur e Alexandre Negrão, com base apenas nas informações públicas disponíveis, é possível afirmar que ele já teve uma cerimônia religiosa católica anterior com Marina Ruy Barbosa. O que não é possível afirmar publicamente é se houve ou não nulidade desse casamento.

Por isso, a forma mais correta de tratar o assunto é: se houve nulidade reconhecida pela Igreja, ele estaria livre para um novo matrimônio católico. Se não houve, a celebração atual não poderia ser considerada um novo casamento católico sacramental, mas sim uma bênção religiosa, como o próprio missal indicava.

De uma forma ou de outra, por aqui deixo de lado qualquer caráter de julgamento sobre o casal ou sobre a religião, e desejo muitas bênçãos e felicidades, com muito amor, respeito e parceria.

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Maju
Criadora do @depoisqueeudissesim, noiva pra sempre, apaixonada por casamentos autênticos, e sempre pronta pra questionar uma regra sem sentido ou uma tradição que não tenha nada a ver com o casal.
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