Existe uma tradição bem enraizada em muitos casamentos: padrinhos devem ser casados. Mas vou ser bem sincera: eu não concordo. Aliás, acho até injusto.
Na minha cabeça, padrinhos não são escolhidos porque formam um “pacotinho socialmente aceito”. Eles são escolhidos porque fizeram parte da nossa vida de um jeito único. São aquelas pessoas que seguraram a barra quando nada parecia dar certo, que vibraram com a gente em conquistas, que sentaram do nosso lado só para ouvir quando o mundo estava de ponta-cabeça. E se essa pessoa for solteira, ela perde automaticamente a honra de apadrinhar esse dia?
E aí eu pergunto mais: faz sentido escolher uma amiga incrível, com quem eu tenho intimidade, histórias e cumplicidade… e junto com ela colocar o marido, só porque “precisa ser casal”? Um marido que eu respeito, claro, mas que não faz parte da minha caminhada, que não viveu nada comigo e que, na real, eu mal tenho intimidade? Pra mim, não.
Quando penso em padrinhos, penso em pessoas que marcaram fases. A amiga que foi meu porto seguro na adolescência. O amigo que acreditou em mim quando nem eu mesma acreditava. O casal de amigos que sempre esteve junto, não por serem casados, mas porque, como dupla, fizeram parte de momentos que vou levar pra sempre comigo.
É sobre isso. É sobre história. É sobre significado.
E sabe o que mais? Padrinho não é status, não é estética, não é tradição por tradição. Padrinho é presença de verdade. É quem você olha no altar e pensa: “caramba, não teria chegado até aqui sem essa pessoa”.
Se for casal, ótimo! Se for um amigo sozinho, perfeito! Se for dois amigos solteiros que sempre estiveram comigo, maravilhoso também. O que importa é a história que a gente compartilhou, não a certidão de casamento que eles têm em casa.
Eu sei que casamento já vem cheio de regras que a gente acaba engolindo sem nem questionar. Mas essa, sinceramente, é uma das que eu fiz questão de deixar de lado. Porque o altar, pra mim, tem que ser ocupado por quem realmente importa, não por quem preenche uma tradição que nunca me representou.
Padrinhos não são apenas um papel no altar, eles são testemunhas da nossa vida. São aquelas pessoas que vão torcer, apoiar e até dar aquele puxão de orelha quando precisar. Não faz sentido escolher alguém só para “compor a estética” do casamento. Porque estética passa. Aparência passa. Mas quem está de verdade ao nosso lado, esse fica.
Por isso eu defendo: escolha quem representa a sua jornada, quem realmente faz sentido. A regra é simples: padrinhos não precisam ser casados, eles precisam ser essenciais na sua história.
E cá entre nós: casamento já é cheio de tradições que a gente segue sem pensar. Essa, pra mim, é uma daquelas que a gente pode deixar para trás sem culpa e com alívio.
Me conta, como você escolheu seus padrinhos? E pra quem já casou, se arrependeu ou fez bem?
